Sobre o projeto

A conteira

Uma das espécies invasoras que ameaçam cada vez mais a biodiversidade da flora Açoriana e o aumento de resíduos resultantes da acumulação de embalagens de plástico, em particular as usadas para guardar/consumir alimentos, são dois problemas ambientais no Arquipélago que embora distintos podem ter uma solução comum, que reside no aproveitamento da conteira para o fabrico de embalagens biodegradáveis.

Plantas da conteira com flor

O projeto

Tem como objetivo valorizar matérias‐primas vegetais endógenas da RAA, com a finalidade de desenvolver produtos inovadores de base tecnológica que possam substituir outros, feitos à base de plásticos e sem preocupações ambientais. A procura de materiais mais sustentáveis, de origem natural e de menor impacto ambiental, mas ao mesmo tempo capazes de responder aos desafios das novas sociedades é cada vez maior, e os mercados cada vez mais competitivos. A biomassa da conteira é um produto natural, abundante e renovável, mas ainda não totalmente explorado, que pode ser usado como matéria-prima; sendo também mais económico que os materiais tradicionais, razão pela qual se viu nesta abordagem uma alternativa à produção de produtos inovadores, em particular para o setor das embalagens. A operação passa pela produção e caracterização dessa matéria-prima; desenvolvimento de modelos, que serão também demonstradores de aplicações em condições reais de utilização.

Protótipos em conteira

Produção de embalagens

A produção de embalagens a partir da conteira tem interesse Regional, Nacional e Internacional. Entronca em diferentes prioridades do desenvolvimento regional, desde logo a atividade agrícola, transversal a todas as ilhas e a indústria agroalimentar, com importantes e positivas repercussões no ambiente e tratamento de resíduos. A importância da valorização da conteira está claramente justificada, tendo em conta, os benefícios a implementar no âmbito:

  1. Ambiental, pela recuperação da biodiversidade que é uma mais-valia incalculável; o lançamento no mercado de embalagens que desde logo substituem as matérias-primas não renováveis; Há também uma conjugação perfeita com o aproveitamento das limpezas e desbaste já efetuados no corte da conteira, direcionando esforços e até custos necessários para a concepção de produtos biodegradáveis, aproveitando a valorização de uma planta indesejável;
  2. Científico, pelo grande interesse em relação ao estudo novos biomateriais e pelo destaque atingido pelo assunto na atual conjuntura internacional onde se procura desenvolver materiais com novas propriedades;
  3. Económico, pelo desenvolvimento de embalagens a custos baixos quando comparados com outros tipos de materiais concorrentes, o que gera uma grande capacidade competitiva na Região. Por outro lado, por estar associado à economia “verde”, é ser um ecodesign, irá gozar de grande simpatia no setor das embalagens, sendo expectável que muitos produtos regionais possam ser harmoniosamente articulados com embalagens mais atrativas e recicláveis. Estes fatores atraem investidores, o que pode gerar um atrativo para implantação de indústrias locais, que visariam conquistar os mercados de grandes centros. Se todas as matérias-primas são da região e todos os trabalhadores permanecem sediados nos Açores, podemos afirmar que a cadeia de valor, nasce e mantém-se na Região, ou seja, todo o valor criado, fica na Região;
  4. Social, pela promoção do emprego regional em dois sectores distintos, agricultura e indústria transformadora; a criatividade exigida aos modelos e peças a conceber, é potenciadora de outras atividades profissionais como engenharias, designers, comerciais, etc;
  5. Turístico, pela promoção e criação de produtos específicos ancorados em fatores diferenciadores na região.